sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Consigo aprender a tocar sem ter um instrumento?

Diversas pessoas (em sua maioria, PAIS de alunos) ficam receosas em investir a quantia de dinheiro necessária para a compra de um instrumento musical sem a certeza de que o retorno valerá a pena: jovens e crianças, principalmente, mudam de interesse muito rápido e, diante de dificuldades nas aulas, podem desistir do curso, mesmo após terem conseguido convencer seus pais a comprar um instrumento. Mesmo os adultos, que nunca fizeram uma aula de música, também ficam inseguros em fazer a aquisição sem antes saber qual a dinâmica do curso. 

Em um nível preliminar, até é possível aprender alguma coisa apenas tocando durante as aulas. Contudo, o rendimento desse aprendizado será bem aquém do adequado, podendo até desestimular o aluno. 

A dinâmica de uma aula prática de música é simples: o professor explica todo o procedimento técnico para a execução correta da música/exercício em questão, o aluno pratica em casa e apresenta o resultado desse estudo na próxima aula, para verificação e eventuais correções. Assim, a velocidade do aprendizado depende do empenho do aluno, não do professor/escola de música (veja, também, no blog: Em quanto tempo estarei tocando?).

Existem opções mais baratas: modelos mais simples, instrumentos usados, versões eletrônicas e teclados que podem substituir o piano, pelo menos, na fase preliminar de estudo, até que o aluno tenha ideia se quer mesmo prosseguir ou consiga comprar um instrumento melhor (veja no blog: Piano acústico, digital ou teclado?).

Na impossibilidade de adquirir qualquer uma dessas opções, escolas de música, conservatórios e igrejas costumam disponibilizar suas salas de instrumento, fora do horário letivo, para os alunos que quiserem estudar.

sábado, 25 de outubro de 2014

Piano acústico, digital ou teclado?

Existem instrumentos de teclado de todos os tipos e preços. Invariavelmente, os modelos mais caros oferecem vantagens: melhorias sonoras, mecânicas e tecnológicas. Contudo, nem sempre podemos adquirir o instrumento mais adequado, seja pelo preço ou por seu tamanho. Em alguns casos, é possível fazer uma escolha mais adequada ao "bolso" e/ou às várias condições que envolvem a aquisição de um instrumento, mesmo que sejam "paliativas" (válidas por um certo tempo). 

O piano acústico é o que exige mais preparo técnico do executante: sua mecânica e peso das teclas oferecem uma gama de sonoridades cuja exploração depende da capacidade do pianista. Possui versões de "armário" (ou "apartamento"), mais compactas, e versões de cauda em diversos tamanhos: 1/4, 1/2, 3/4 e cauda inteira (de "concerto"): quanto maior o seu tamanho, maior será sua potência sonora. É indicado para qualquer curso.



O piano digital é a versão eletrônica do piano acústico. Suas vantagens: mais barato, menor e mais leve (facilitando o deslocamento), controle de seu volume geral e saída para fone de ouvido (não incomodando vizinhos e pessoas no mesmo ambiente), variedade de timbres, regulagem do som interno, metrônomo acoplado, entre outros recursos. Como precisa de alto-falante para reproduzir seu som (modelos mais avançados possuem falantes acoplados), sua potência sonora depende da qualidade desse(s) alto-falante(s). Apesar de, praticamente, todos os modelos serem oferecidos com teclas do mesmo peso que as de madeira (utilizadas nos pianos acústicos), somente uma linha recente conseguiu reproduzir não só o peso, mas todo o comportamento mecânico do modelo acústico, simulando a mesma reação ao toque experimentada num piano, tornando esses modelos digitais indicados até para quem toca erudito (veja, também, no blog: O que é Música Clássica/Erudita?). Os modelos sem essa tecnologia são uma opção intermediária entre o piano acústico e o teclado, sendo apenas indicados a alunos iniciantes e aos praticantes de música popular.



Os teclados e sintetizadores podem ser considerados instrumentos "independentes": apesar da grande maioria dos modelos também disponibilizar timbres de piano, seu maior atrativo é a grande variedade de timbres de outros instrumentos e os recursos eletrônicos. Com mecanismo bem suave, teclas leves e inúmeras facilidades, é a opção que menos exige preparo técnico do executante. Por isso mesmo, não faz o treinamento muscular necessário ao aluno iniciante que pretende, posteriormente, tocar num piano acústico. Muito utilizado em bandas por sua versatilidade, o teclado é indicado somente para praticantes de música popular (veja no blog: Qual a diferença do curso de Teclado e de Piano Popular?).


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

12 razões para saber ler/escrever uma partitura

Inviável na música erudita, cujo material é totalmente fundamentado em partituras (veja, também, no blog: O que é Música Clássica/Erudita?), aprender a tocar "de ouvido" é uma prática muito comum na música popular: várias pessoas conseguem se desenvolver sozinhas, observando a postura de alguém tocando e reproduzindo músicas apenas ouvindo sua gravação (veja no blog: Como 'tirar' músicas de ouvido?). Através do seu talento e muita persistência, excelentes músicos já se destacaram sem nunca terem feito uma aula de música sequer.

Contudo, mesmo para músicos excepcionais e experientes, saber ler/escrever uma partitura é um diferencial muito valorizado no mercado atual de música popular, por dar a independência necessária que destaca os especializados dos simples "imitadores". Veja 12 razões para você dominar a notação (escrita) musical, seja músico profissional ou amador:

1) Tocar músicas que não conhece: conseguir executar qualquer música sem depender de uma referência auditiva, tanto na aquisição de partituras, como num serviço 'freelancer' fechado em cima da hora, onde raramente há tempo para ensaio e/ou para tirar de ouvido todas as músicas do repertório. Se o músico a ser substituído tiver as partituras de sua parte e você tiver uma boa leitura, poderá tocar corretamente, à "primeira vista" (sem estudo prévio), músicas que não sejam muito complicadas tecnicamente, mesmo que nunca tenha tocado/ouvido antes;

2) Aprender mais rápido a tocar uma música: mesmo as mais complicadas tecnicamente (que exigem um tempo de estudo para atingir a execução ideal), você aprende, com a partitura, a toca-la muito mais rápido do que se tivesse que tira-la de ouvido, pois pode se concentrar em resolver sua mecânica sem antes precisar descobrir as notas e o ritmo;

3) Tirar uma música de ouvido mais rapidamente: se você for escrevendo  a partitura enquanto tira uma música de ouvido, não precisará dispor de mais um tempo para ficar repetindo a mesma, várias vezes, até decorar;

4) Não precisar decorar toda música que toca: à medida que o seu repertório vai aumentando, mantê-lo sempre decorado vai se tornando cada vez mais complicado. E já que, na maioria das situações, podemos tocar com partitura, com o registro escrito você elimina a necessidade de decorar todas as músicas. No mercado atual, é muito comum o músico precisar trabalhar em vários lugares para se sustentar financeiramente. Manter decorado o repertório de todos os grupos que participa acabaria exigindo horas extras de estudo;

5) Relembrar, mais rapidamente, músicas que tocou há muito tempo: como a partitura é um registro permanente, uma simples releitura, na maioria das vezes, é suficiente para relembrar uma música, mesmo que tenha ficado muito tempo sem toca-la. Essa é mais uma razão de escrevermos uma música que tiramos de ouvido: reler sua parte escrita é muito mais rápido do que tira-la novamente;

6) Preservar os detalhes: quando tocamos uma música decor (sem partitura) por muito tempo, vamos, sem perceber, alterando nossa maneira de toca-la, esquecendo de fazer alguns detalhes e, até, perpetuando erros que passaram despercebidos! Se você tem o registro escrito, basta tocar uma vez com a partitura para relembrar todos os detalhes, ao invés de precisar, periodicamente, ficar conferindo sua execução com a gravação. Nos trabalhos onde se pode tocar com partitura, os detalhes nunca são esquecidos, preservados como no dia em que a música foi tirada pela primeira vez;

7) Exatidão na execução: a música popular geralmente permite que se faça adaptações e "maneirismos" (tocar do seu jeito) durante a execução. Contudo, há situações onde, como na música erudita, são requeridas execuções específicas e precisas: musicais, gravações, arranjos (adaptações e alterações de uma música para uma formação/execução diferente da original) ou quando não há uma gravação de referência (trabalhos inéditos, por exemplo), onde a única maneira de se conseguir essa precisão é através de uma partitura;

8) Escrever suas composições e arranjos: somente através de uma partitura você conseguirá informar, ao músico, a execução correta de uma música;

9) A imprecisão do sistema de cifragem: o uso de cifras (simbologia mais simples de acordes, através de letras e números), além de não indicar notas isoladas, é impreciso até na indicação dos acordes. Compositores e arranjadores, no desejo de uma sonoridade específica, não conseguem, sem escrever uma partitura, indicar uma montagem (distribuição das notas) precisa de um acorde através da cifragem (alguns até inventam novas cifras ou adaptam suas formas para tentar contornar esse problema);

10) Estudar algum método sozinho: não depender de terceiros para conhecer/estudar novos materiais. Não existe uma maneira mais eficiente de se fazer entender um exemplo musical do que com uma partitura. Assim, invariavelmente, todos os métodos e apostilas musicais conterão alguma parte com notação musical;

11) Dar aula em escolas, conservatórios e instituições: como não podia ser diferente, a grande maioria das escolas de música exige uma formação técnica e teórica de seus professores. Notação musical é matéria básica e obrigatória em um currículo de professor de música;

12) Não é preciso ter uma habilidade especial: o mais importante disso tudo, é que qualquer um pode aprender a notação musical padrão, usada, atualmente, no mundo todo. O sistema é simples, lógico, matemático e universal (dentre os estilos originários na cultura ocidental, ele é adotado por todos da música popular e na maior parte da música erudita). 

Não se trata, aqui, de "demonizar" quem só toca de ouvido em favor de quem sabe ler partitura... Mas, porque não desenvolver as duas habilidades? Uma coisa não anula a outra e ambas são muito úteis (por vezes, até, IMPRESCINDÍVEIS) no panorama atual da música popular.